"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar.
Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.
Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho, porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira.
Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."
Autor desconhecido
sábado, setembro 19, 2009
quarta-feira, agosto 19, 2009
sábado, maio 09, 2009
Canção Óbvia - Paulo Freire
Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos e
conversarei com os homens
Suarei meu corpo,
que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais,
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque o meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:
em voz baixa e precavidos:
É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso, esperar, na forma em que esperas,
porquê êsses recusam a alegria de tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque êsses, ao anunciar-te ingênuamente ,
antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.
quinta-feira, abril 16, 2009

Excessivamente familiar...
"Não há Coincidências"
Vera
(...)
"Pergunto-me pela centésima vez porque é que os homens que têm mulheres fantásticas passam a vida a ter amantes e os que se casaram com chatas são fiéis?
O João atura há cinco anos a Sofia e nunca lhe foi infiel. E essa sim, ganhava de certeza o concurso da mulher mais chata do mundo. Sempre de trombas, maldisposta, com cara de que toda a gente lhe deve e ninguém lhe paga. Que falta de paciência.
Amanha vou telefonar ao João, talvez ele não tenha marcado nenhum almoço. O João é só e apenas o mais sério de todos os meus antigos namorados, o homem que já foi a «grande paixão da minha vida». Os anos suavizaram o amor adolescente e disparatado, que hoje se resume a um desejo sublimado e a uma enorme amizade. O que o tempo não faz.
Amanha vou almoçar com ele e pronto. Vamos falar de tudo sem tempo para nada, porque um almoço por mês não dá nem para as migalhas de uma relação de mais de dez anos. Mas é melhor que nada e continuo a gostar de o ver. O Tiago aceita estess almoços com a naturalidade que lhe é característica. Não é por aí que passa o seu orgulho. Se se sentisse de algum modo tocado, não hesitaria em protestar. Como ele não faz fitas, eu não lhe faço segredo e não há mistério.
Além disso, hoje em dia para mim ver o João é como assistir pela décima vez ao cinema Paraíso. Contonuo a adorar mas já conheço todas as cenas, já decorei os diálogos e não falho uma sequência. Prefiro não pensar se ainda o amo ou não, porque, no funfo, sei que sim, mas ando a convenser-me de que tenho o direito de me deixar ser amada por outro homem. Esse homem é o Tiago, e tambem sei que pode ser outro qualquer. De qualquer forma tanto faz, porque nenhum deles é o João.
Será que só se ama uma vez na vida? Será que não se volta a viver aquele amor total, arrebatador, violento, profundo e inesquecível, nunca mais? Temo que sim, mas espero que não.
Amanha, se for almoçar com o João, atiro com o assunto do meu casamento com o Tiago para cima da mesa. Nem sei bem se me quero ou não casar com o Tiago, mas depois logo se vê. Pelo menos lanço os dados. Ele que os apanhe como puder. Se ao menos eu gostasse mesmo do Tiago... mas não. O que eu gosto é que ele goste de mim. E o pior é que gosta mesmo.
João
(...)
Olho para os tufos de alfazema que plantei a pensar na Vera. Ofereceu-mos e pediu que os plantasse em sua honra. Coitada da Vera. Nãos abe mais o que inventar para fazer parte da minha vida. Como se não fizesse desde sempre.
(...)
Quando chego ao restaurante do costume, já está à minha espera, o carro e stacionado no parque e ela de porta entreaberta a mexer em papéis. Consegue sempre manter a pose de quem não está ansiosamente à minha espera, mas eu já lhe conheço os truques. O olhar brilha quando me vê.
Sinto-a ansiosa ao longo do almoço, sei que me vai dizer alguma coisa. E acertei em cheio, anuncia-me que vai casar.
"Com o Tiago?"
"Com quem querias que fosse? Contigo não é com certeza, porque já casas-te com outra mulher.
Começou o ataque. Fingo que não noto a ligeiríssima inflexão na voz que lhe saiu sem ela reparar.
"Mas isso é a sério?"
"Claro, daqui a seis meses"
"Óptimo, óptimo. Só gostava é de saber se ainda vais achar graça ao Tiago daqui a uns anos.
(...)
Tento imaginar a Vera casada, mas não consigo. Com filhos, sim, sempre a imaginei. Um filho meu, às vezes falávamos disso. Mas casada? Fiz um esforço para me habituar à ideia.
(...)
A Vera ouvia-me com atenção, adivinhando como sempre o fim das minhas frases, com aquele dom que Deus lhe deu de perceber tudo o que digo e tudo o que não quero dizer. Aconselhou-me a não me separar da Sofia por causa dos miúdos, a não ser que houvesse mesmo outra hipótese. Como se houvesse. Ambos sabíamos que não e estávamos ali a fingir. Ambos com o orgulho ferido, nenhum com vontade de dar o braço a torcer.
Antes de me casar, apanhei o avião e vim cá falar com ela. Nessa altura ela disse-me que a Sofia seria um erro. Mas eu estava convencido que não. Agora sou obrigado a reconhecer que ela acertara em cheio nas suas previsões.
Disse-me que nunca seria minha amante. Que casamento é coisa séria. E sempre cumpriu a sua palavra. Tambem nunca tentei nada, embora muitas vezes ao longo destes anos me tivesse passado pela cabeça dormir com ela. Mas sei que ela veria como uma humilhação ser minha amante. Afinal era queria ser minha mulherm sempre quis, e nãos e contentava com menos.
«Posso voltar a ser tua namorada um dia, se te separares e estivr sozinha nessa altura. Mas amante é que não. Alémm disso tu não precisas de uma amante. Precisas de alguém que te compreenda e te oiça. Acho que a minha amizade é muito mais valiosa do que qualquer outra coisa»
E agora a minha melhor amiga vai casar-se.
Despedimo-nos com um beijo rápido e comprometedor. Prometemos continuar a falar, não desaparecer da vida um do outro. Como se fosse possível. A Vera entrou na minha vida sem eu dar por isso e nunca mais vai sair. Fiquei ali especado, no parque de estacionamento, a ve-la descer a rampa e desaparecer do outro lado da retunda.
Se eu quisesse, bastava uma palavra apenas e aquela mulher era outra vez minha. Mas não. A minha vida já está demasiado complicada com a Sofia.
Só precisei de me sentar à secretária para deitar para trás das costas tudo o que me tinha passado pela cabeça. Tenho de trabalhar.
Vera
(...)
Não devia ter ido almoçar com ele. acabo sempre por cair na ratoeira. Quando vou ter com ele convenço-me de que é como se fosse almoçar com um amigo qualquer. Engano-me.
(...)
Além disso o Tiago não é ambicioso, sabe que um dia vai herdar uma dúzia de prédios em Lisboa, e, se for esperto, viverá dos rendimentos. Não tem a garra do João. Nem a inteligência. Nem o pedigree. Mas tambem quem é que tem? Se ao menos o João não fosse para mim um deus, se ao menos o conseguisse pôr com os pés no chão, se ao menos se partisse o pedestal e ele ficasse reduzido a pó, cinzas e nada. mas não. Habituei-me a vê-lo assim, não consigo olhar para ele de outra maneira."
Margarida Rebelo Pinto
terça-feira, abril 14, 2009
domingo, fevereiro 22, 2009
Tornou-se vital relativar sentimentos.
Afinal de contas, tudo não passa de jogos de interesse.
Amigos?
Não.
Jogo de interesses.
Sentir-me-ei no dever de retribuir tudo o que receber. De bom ou de mau.
E não, não é vingança. É apenas o modo que tenho de deixar de ser parva!
Acabou-se a amiga sempre presente e disponível.
Bye bye ;)
Afinal de contas, tudo não passa de jogos de interesse.
Amigos?
Não.
Jogo de interesses.
Sentir-me-ei no dever de retribuir tudo o que receber. De bom ou de mau.
E não, não é vingança. É apenas o modo que tenho de deixar de ser parva!
Acabou-se a amiga sempre presente e disponível.
Bye bye ;)
domingo, janeiro 25, 2009
Querida Ritinha...
... Saudades? :)
Tento escrever sem pensar.... escrever por escrever.
Debitar letras, tentando construir palavras, que numa dança infernal se transformam em frases, que tocadas pela emoção se transformam num texto capaz de descrever tudo aquilo que tenho vontade de dizer.
Quero deixar o meu íntimo escapar, transpor barreiras... Ver nas palavras a verdade, sem censura alguma.
Mas as palavras derretem-se antes de chegar à ponta dos dedos.
Esperaremos então...
Tento escrever sem pensar.... escrever por escrever.
Debitar letras, tentando construir palavras, que numa dança infernal se transformam em frases, que tocadas pela emoção se transformam num texto capaz de descrever tudo aquilo que tenho vontade de dizer.
Quero deixar o meu íntimo escapar, transpor barreiras... Ver nas palavras a verdade, sem censura alguma.
Mas as palavras derretem-se antes de chegar à ponta dos dedos.
Esperaremos então...
sexta-feira, janeiro 02, 2009
É incrível a diversidade de possíveis leituras dos sonhos.
Sonhei que tínhamos congelado, de mãos quase dadas.
Primeiro sonho de 2009.
É fácil.
Fácil de prever. Fácil de associar. Fácil de viver.
O difícil é controlar.
Difícil de manter as emoções no devido lugar. Difícil de ser uma verdadeira Puta contigo.
Ficámos no mesmo sítio, no mesmo patamar, por um tempo indeterminado.
Quando decongelarmos as situações serão as mesmas. A mesma emoção, o mesmo desejo.
Sonhei que tínhamos congelado, de mãos quase dadas.
Primeiro sonho de 2009.
É fácil.
Fácil de prever. Fácil de associar. Fácil de viver.
O difícil é controlar.
Difícil de manter as emoções no devido lugar. Difícil de ser uma verdadeira Puta contigo.
Congelámos. Estagnámos. Intactos. Intocáveis. Inteiros.
Quando decongelarmos as situações serão as mesmas. A mesma emoção, o mesmo desejo.
Mas o tempo... o tempo, esse será outro. Será inapropriado. Desadequado.
Por mim, apenas sentirás o sussurro da minha indiferença, onde antes ansiavas pelo sabor do meu desejo.
domingo, dezembro 28, 2008
segunda-feira, dezembro 08, 2008
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Sem-Abrigo
Penso muitas vezes nos Sem-Abrigo, talvés porque estou a ler um livro relacionado com o tema, que desde já deixo como leitura obrigatória :P
"A Saga de um Pensador" de August Cury
Num país em que as desigualdades sociais são tão evidentes e imensamente perturbantes, penso muitas vezes no quanto estas pessoas estão desprotegidas. Vivemos uma realidade absurda que vive à nossa porta, que raramente damos por ela e sobre a qual ouvimos falar mas sobre a qual pouco sabemos e fazemos ainda menos.
Qual de nós é que ainda não passou por um Sem-Abrigo?
É deprimente e chocante a degradação da condição humana em que muitas destas pessoas vivem. A maior parte dos Sem-Abrigo entram num círcuclo vicioso de exclusão social, porque a degradação das suas condições físicas e mentais são um entrave à sua inserção no mercadod e trabalho e impossibilitam a procura do mesmo. A sua degradação social conduz como que a um "beco sem saída".
O não ter direito a um subsídio de desemprego ou a uma pensão social, embora alguns, usufruam já do rendimento minimo, agudizam a precariedade económica, o recurso à mendicidade ou a situações ilícitas.
Proporcionar qualidade de vida para os Sem-Abrigo é uma útopia para alguns, para mim, é um desafio possível!
"A Saga de um Pensador" de August Cury
Num país em que as desigualdades sociais são tão evidentes e imensamente perturbantes, penso muitas vezes no quanto estas pessoas estão desprotegidas. Vivemos uma realidade absurda que vive à nossa porta, que raramente damos por ela e sobre a qual ouvimos falar mas sobre a qual pouco sabemos e fazemos ainda menos.
Qual de nós é que ainda não passou por um Sem-Abrigo?
É deprimente e chocante a degradação da condição humana em que muitas destas pessoas vivem. A maior parte dos Sem-Abrigo entram num círcuclo vicioso de exclusão social, porque a degradação das suas condições físicas e mentais são um entrave à sua inserção no mercadod e trabalho e impossibilitam a procura do mesmo. A sua degradação social conduz como que a um "beco sem saída".
O não ter direito a um subsídio de desemprego ou a uma pensão social, embora alguns, usufruam já do rendimento minimo, agudizam a precariedade económica, o recurso à mendicidade ou a situações ilícitas.
Proporcionar qualidade de vida para os Sem-Abrigo é uma útopia para alguns, para mim, é um desafio possível!
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Quero-te
domingo, novembro 30, 2008
:) Como já repararam houve mudanças por estes lados...
E quero agradecer à Di, que foi fabulosa comigo!! Muito prestável desde o inicio!
E é a ela que devo aplaudir de pé, pela mudança que me fez no blog, está estrondoso!!
Adorei =D
Mesmo não me conhecendo pessoalmente, consegiu por o blog mesmo ao meu estilo, é a "minha cara", as cores, o desing das letras, as imagens, está perfeito!
Obrigada*
E quero agradecer à Di, que foi fabulosa comigo!! Muito prestável desde o inicio!
E é a ela que devo aplaudir de pé, pela mudança que me fez no blog, está estrondoso!!
Adorei =D
Mesmo não me conhecendo pessoalmente, consegiu por o blog mesmo ao meu estilo, é a "minha cara", as cores, o desing das letras, as imagens, está perfeito!
Obrigada*
quarta-feira, novembro 12, 2008
domingo, outubro 26, 2008
Apenas um Sonho...

Hoje sonhei contigo.
Sonhei como se nos devorassemos, como se fosse uma ultima vez, com a pressa e a ansia de quem sente que não há tempo a perder!
Há certas pessoas por quem a atracção física é inexplicável, como é possível sentir algo tão forte?!
Parece que à mínima coisa podemos perder o controlo, deixar o desejo falar mais alto que a razão... Parece tão fácil seguir um simples impulso...
Mas não. Não vou nem quero perder o que tenho. Jamais deixarei isso acontecer, apenas por um capricho, sentimento de poder.
Por isso, se nos cruzarmos um dia, na mais casual das circunstâncias, saberás que nos gestos e nas palavras nunca estará a verdadeira essência da nossa relação.
quinta-feira, outubro 16, 2008
Pensar é trair?
Ultimamente ando atenta a conversas/debates sobre este tema da traição e li este comentário num blog, leiam =) e... comentem!
"Se pensar é trair, então sou da mesma opinião que a diaba, não se safa uma alminha. E mesmo a vontade associada ao que se escreve, ou o facto de conhecer a pessoa... acho que nada tem a ver. Porque, para mim, trair é o acto de esvaziar um casamento ou relação de sentido. Ou seja, trair é acabar com o que se sente com a pessoa que se está a trair. Logo, se a pessoa com quem assumimos um compromisso continua a ser a nossa metade e o nosso futuro, e a pessoa que nos responde on-line o nosso massajador de ego, não vejo traição em lado nenhum! Ou quando uma pessoa vê assim uma cena mais interessante no cimena e se imagina lá, com aquele mesmo actor já é uma traição? Claro que não. Portanto, vontade, pensamento e conversas ou mesmo sexo virtual, não é traição."
"Se pensar é trair, então sou da mesma opinião que a diaba, não se safa uma alminha. E mesmo a vontade associada ao que se escreve, ou o facto de conhecer a pessoa... acho que nada tem a ver. Porque, para mim, trair é o acto de esvaziar um casamento ou relação de sentido. Ou seja, trair é acabar com o que se sente com a pessoa que se está a trair. Logo, se a pessoa com quem assumimos um compromisso continua a ser a nossa metade e o nosso futuro, e a pessoa que nos responde on-line o nosso massajador de ego, não vejo traição em lado nenhum! Ou quando uma pessoa vê assim uma cena mais interessante no cimena e se imagina lá, com aquele mesmo actor já é uma traição? Claro que não. Portanto, vontade, pensamento e conversas ou mesmo sexo virtual, não é traição."
domingo, outubro 05, 2008
http://sexosemnexopt.blogspot.com
"Um dia faço um blog apenas para responder aos 27(!) e-mails que recebi nos últimos dias. Mulheres que leram o post anterior e que não deixaram passar um pormenor: eu já fui amante de um homem.
E escreveram-me sobre isso. Sobre o texto, sobre o perdão, não falaram mas sobre esse pormenor acharam-se no direito de opinar.
Não me lembro de ter pedido a opinião sobre o assunto nem tão pouco admito juízos de valor de quem não conheço. A avaliar pelo que li parece que tenho capacidades fantásticas de desiludir pessoas que não conheço nem me conhecem a mim.
Por isso um dia faço um blog. E conto uma história. A minha e a das outras. Das outras que tal como eu também foram outras mas não deixaram de ser pessoas.
E talvez essas 27 leitoras percebam que nem todas as amantes são putas e nem todas as esposas são santas; nem todos os maridos são infiéis e nem todos os infiéis são cabrões.
E que há histórias erradas mas que dão aparência de ser certas e certas baseadas em pressupostos errados.
Por isso um dia faço um blog. Não sei se terá muitas leitoras.
Qualquer esposa insegura prefere dores de parto, depilação a quente ou mudar um pneu de um camião a ter de ler algo sobre infidelidade.
Qualquer esposa insegura prefere ser amiga do diabo a ter uma outra como amiga.
Fala-se de infidelidade como se fala de uma doença sem cura. Baixinho, baixinho para ninguém ouvir. E tal como uma doença sabe-se que existe mas espera-se (e reza-se) para que nunca nos calhe a nós.
Por isso um dia faço um blog. Vamos falar dos truques delas, deles e das outras? Vamos falar dos jogos sujos delas, deles e das outras? Vamos falar das vidas delas, deles e das outras?
Vamos, pois. Mas é tudo um faz de conta. A infidelidade não existe. Durmam descansadas."
http://sexosemnexopt.blogspot.com/
E escreveram-me sobre isso. Sobre o texto, sobre o perdão, não falaram mas sobre esse pormenor acharam-se no direito de opinar.
Não me lembro de ter pedido a opinião sobre o assunto nem tão pouco admito juízos de valor de quem não conheço. A avaliar pelo que li parece que tenho capacidades fantásticas de desiludir pessoas que não conheço nem me conhecem a mim.
Por isso um dia faço um blog. E conto uma história. A minha e a das outras. Das outras que tal como eu também foram outras mas não deixaram de ser pessoas.
E talvez essas 27 leitoras percebam que nem todas as amantes são putas e nem todas as esposas são santas; nem todos os maridos são infiéis e nem todos os infiéis são cabrões.
E que há histórias erradas mas que dão aparência de ser certas e certas baseadas em pressupostos errados.
Por isso um dia faço um blog. Não sei se terá muitas leitoras.
Qualquer esposa insegura prefere dores de parto, depilação a quente ou mudar um pneu de um camião a ter de ler algo sobre infidelidade.
Qualquer esposa insegura prefere ser amiga do diabo a ter uma outra como amiga.
Fala-se de infidelidade como se fala de uma doença sem cura. Baixinho, baixinho para ninguém ouvir. E tal como uma doença sabe-se que existe mas espera-se (e reza-se) para que nunca nos calhe a nós.
Por isso um dia faço um blog. Vamos falar dos truques delas, deles e das outras? Vamos falar dos jogos sujos delas, deles e das outras? Vamos falar das vidas delas, deles e das outras?
Vamos, pois. Mas é tudo um faz de conta. A infidelidade não existe. Durmam descansadas."
http://sexosemnexopt.blogspot.com/
http://sexosemnexopt.blogspot.com
"Em dias de azar pedimos perdão. Perdão por isto e por aquilo. Perdão a este e aquele. Pedimos todos porque erramos todos. O perdão é um desculpe mais sentido ou a consequência de um erro maior.
Pedir perdão é um erro e perdoar um erro maior. Quem pede perdão, pede esquecimento e quem perdoa não consegue esquecer.
O erro fica guardado como um trapo velho numa gaveta e só será despachado quando outros trapos se juntarem. Ninguém despacha um trapo mas muitos despacham-se num instante. E nesse dia, quando despachamos um erro, pegamos nele e tocamos-lhe com cuidado.
As feridas que julgávamos curadas voltam a abrir.
Ele pediu-lhe perdão por uma (?!) infidelidade e ela, na ânsia de o ter, disse que perdoava.
Esquecer, não esqueceu.
Lembrava-se disso em cada segundo que ele se atrasava ou cada vez que lhe revistava as coisas pessoais. Disse que o perdoava mas não esqueceu.
A vida de ambos virou guerra cuja arma de arremesso era o perdão. Ela atacava-o com o perdão concedido e ele defendia-se com o perdão pedido.
Uma guerra.
Hoje ele pediu-me perdão. A mim. Mas eu era a outra e as outras não perdoam ou não têm nada a perdoar. As outras têm gavetas para guardar os trapos que são só seus.
Os anos passaram e a minha vida é paz. A deles é guerra. A guerra do perdão não esquecido."
http://sexosemnexopt.blogspot.com/
Pedir perdão é um erro e perdoar um erro maior. Quem pede perdão, pede esquecimento e quem perdoa não consegue esquecer.
O erro fica guardado como um trapo velho numa gaveta e só será despachado quando outros trapos se juntarem. Ninguém despacha um trapo mas muitos despacham-se num instante. E nesse dia, quando despachamos um erro, pegamos nele e tocamos-lhe com cuidado.
As feridas que julgávamos curadas voltam a abrir.
Ele pediu-lhe perdão por uma (?!) infidelidade e ela, na ânsia de o ter, disse que perdoava.
Esquecer, não esqueceu.
Lembrava-se disso em cada segundo que ele se atrasava ou cada vez que lhe revistava as coisas pessoais. Disse que o perdoava mas não esqueceu.
A vida de ambos virou guerra cuja arma de arremesso era o perdão. Ela atacava-o com o perdão concedido e ele defendia-se com o perdão pedido.
Uma guerra.
Hoje ele pediu-me perdão. A mim. Mas eu era a outra e as outras não perdoam ou não têm nada a perdoar. As outras têm gavetas para guardar os trapos que são só seus.
Os anos passaram e a minha vida é paz. A deles é guerra. A guerra do perdão não esquecido."
http://sexosemnexopt.blogspot.com/
domingo, setembro 28, 2008
O meu maior desejo...
O meu maior desejo não é conseguir acabar o curso no tempo previsto nem ter sucesso profissional.
O meu maior desejo não é sair de casa o quanto antes.
O meu maior desejo não é casar e ter filhos.
O meu maior desejo não é ter dinheiro suficiente para não passar fome.
O meu maior desejo é poder ouvir um dia que vocês, pai e mãe, têm orgulho na vossa filha.
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