"Em dias de azar pedimos perdão. Perdão por isto e por aquilo. Perdão a este e aquele. Pedimos todos porque erramos todos. O perdão é um desculpe mais sentido ou a consequência de um erro maior.
Pedir perdão é um erro e perdoar um erro maior. Quem pede perdão, pede esquecimento e quem perdoa não consegue esquecer.
O erro fica guardado como um trapo velho numa gaveta e só será despachado quando outros trapos se juntarem. Ninguém despacha um trapo mas muitos despacham-se num instante. E nesse dia, quando despachamos um erro, pegamos nele e tocamos-lhe com cuidado.
As feridas que julgávamos curadas voltam a abrir.
Ele pediu-lhe perdão por uma (?!) infidelidade e ela, na ânsia de o ter, disse que perdoava.
Esquecer, não esqueceu.
Lembrava-se disso em cada segundo que ele se atrasava ou cada vez que lhe revistava as coisas pessoais. Disse que o perdoava mas não esqueceu.
A vida de ambos virou guerra cuja arma de arremesso era o perdão. Ela atacava-o com o perdão concedido e ele defendia-se com o perdão pedido.
Uma guerra.
Hoje ele pediu-me perdão. A mim. Mas eu era a outra e as outras não perdoam ou não têm nada a perdoar. As outras têm gavetas para guardar os trapos que são só seus.
Os anos passaram e a minha vida é paz. A deles é guerra. A guerra do perdão não esquecido."
http://sexosemnexopt.blogspot.com/
domingo, outubro 05, 2008
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